ILLAN se diversifica e vira Private Equity

ILLAN se diversifica e vira Private Equity

Ele já tem BMW, Land Rover, Volvo, Audi e Porsche. Na semana passada, incorporou mais uma marca: a Toyota, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. "Vai vender Lexus [o luxuoso carro da marca japonesa]?", pergunta a assessora. "Não só, mas também [o sedã] Corolla", diz o empresário Henry Visconde, da Illan Participações. O sonho de Visconde: montar uma grande rede de revendas de carros premium, cruzando uma grande avenida imaginária da rica Ribeirão Preto, passando pelo Triângulo Mineiro até atingir Goiás, regiões por onde fervilham o "boom" agrícola.

"O plano é estender a rede de concessionárias onde existe a cana-de-açúcar", conta Henry. "Por trás da cana, há uma rica economia em movimento." A intenção é fazer alguns investimentos em parceria. "Vou procurar sócios locais", diz. A constelação de revendas de veículos importados de alto padrão, certamente uma das maiores do país, é a faceta mais visível da Illan. A meta de Visconde é construir uma rede de concessionárias com receita de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão - ainda assim metade do faturamento que as maiores do país. Porém, com a diferença, de que a Illan é ligada ao segmento de carros de luxo. "Tem gente que circula com carros de R$ 700 mil por meio de canaviais", diz o diretor de investimentos da Illan, Júlio Nakamura.

Segundo de três irmãos, Henry, de 43 anos, ajudou a fundar, com a família Visconde, o laboratório farmacêutico Biosintética em 1984. A holding Illan foi criada para administrar os interesses de Henry na empresa da família. Depois da venda da farmacêutica dois anos atrás, por estimados R$ 500 milhões, a Illan virou uma empresa de private equity, com participações em diversas empresas de capital fechado.

Essas companhias, que empregam 700 pessoas, faturam mais de R$ 450 milhões em ramos variados. Além da rede de concessionárias de veículos, os negócios incluem uma empresa de software, uma fabricante de pasta de dente, uma indústria de medicamentos, um centro de vivência para idosos ricos e até restaurantes do badalado chef Sergio Arno, como o La Vecchia Cuccina, em São Paulo, e o Duets, em Ribeirão Preto.

Para reforçar os negócios, a Illan fechou um acordo operacional com a Hedging-Griffo, administradora de recursos de terceiros, para identificar oportunidades de investimento, como fusões e aquisições, "club deals" e reorganizações societárias. "Fizemos o caminho inverso da maioria dos gestores, que é gerir recursos de terceiros para depois estender a atuação para os negócios da família", diz Nakamura.

Nos atuais negócios da Illan, Henry tem seu irmão mais velho, Omilton, como sócio na empresa de produtos hospitalares, que está erguendo a maior fábrica de soros da América Latina. Com o irmão mais moço, Marcel, Henry possui uma fatia de 5% da importadora oficial da Porsche no Brasil. "Quando o negócio com a Porsche começou em 1997, vendia-se 40 unidades por ano. Hoje, são 400", diz Henry, que possui os direitos de comercializar os veículos no interior paulista onde vende 40 veículos. Os três irmãos são fanáticos pelo lendário carro alemão e participam de corridas de velocidade.

Depois de tomar gosto pelo negócio de carros, Henry fez uma investida própria em 2002. Ele adquiriu dos Biagi, tradicional família de Ribeirão Preto, dona de usinas de açúcar e álcool, a marca Eurobike. "Foi difícil vender carro importado com o dólar quase a R$ 4", diz. Hoje, a Eurobike, que reúne as marcas BMW, Volvo e Land Rover, está espalhada em lojas situadas nas cidades de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Porto Alegre. Vende cerca de 90 carros por mês ao preço médio é de R$ 150 mil. A marca também chegou na semana passada à cidade de São Paulo, com a abertura de uma loja no bairro Alto de Pinheiros.

Há um ano, os negócios se estenderam com a marca Audi, com a abertura de uma concessionária. Com a missão de ajudar a restabelecer a marca alemã no interior paulista, a concessionária Audi One já vendeu mais 170 carros novos importados, o que gerou R$ 25 milhões em vendas. "A marca foi muita prejudicada com a saída da família Senna do negócio, a ponto de ficar a sensação de que o país seria abandonado", constata. Segundo Henry, a intenção é reforçar as ligações da Audi com o cliente mais sofisticado.

"Assim como tínhamos um grande vínculo com os médicos na época da Biosintética, a chave neste negócio é criar uma grande relação com o cliente", diz. "Test driver", festas, shows, campeonatos de golfe, entre outras atividades, atraem este público, exemplifica. Por orientação da matriz, sua oficina da BMW deverá dispor de veículos reservas caso o cliente deixe o carro para manutenção por mais de três dias. "Vamos fazer isso a partir deste mês", conta.

A Illan prevê crescer também no segmento de informática. A Sydeco, criada na metade dos anos 90, era uma área da Biosintética, tornando-se uma empresa própria, no desenvolvimento de sistemas de software de gestão. "Há muito espaço para a consolidação neste setor", diz Henry Visconde. A empresa tem intenção de fazer uma aquisição até o fim deste ano.

Outro negócio é o Hiléa, o centro de vivência de alto luxo para idosos, que prevê tornar-se uma operadora deste tipo de empreendimento. Com uma arquitetura especial, o centro reúne quartos, áreas de convivência e lazer, hospital, consultórios com médicos especializados no atendimento aos idosos. A primeira unidade-piloto será inaugurada no fim deste mês no bairro do Morumbi, em São Paulo. "A intenção é transformar-se numa rede como a Accor", compara Nakamura. Nem tudo, contudo, é tão promissor no mundo de negócios da Illan. O futuro da Ondafresh, fabricante de creme dental e produtos de higiene bucal, está sendo reavaliado. "A concorrência é muito acirrada", diz Henry Visconde.


Valor Econômico
André Vieira

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